quinta-feira, 23 de maio de 2019

LateX e outros editores automatizados de formatação de trabalhos científicos

LateX e outros editores automatizados de formatação de trabalhos científicos


Mahara Iasmine Sampaio Cardoso Lima 
Introdução


O LATEX é um pacote computacional feito para a preparação de textos impressos de alta qualidade, especialmente para textos matemáticos.  É possível  programá-lo para que seus textos tenham um padrão específico de formatação, como a ABNT, por exemplo. O LaTEx foi desenvolvido em 1984 por Leslie Lamport a partir do sistema tipográfico TEX criado por Donald Knuth em 1978 (SANTOS, 2011).
Os programas de processamento de texto podem ser divididos em duas classes. A primeira utilizada o método chamado ``what-you-see-iswhat-you-get'' (WYSWYG), existe um menu na tela apresentando os recursos que podem ser selecionados com o uso do mouse. Depois de selecionado um recurso, o texto é digitado e aparece na tela exatamente como vai ser impresso no papel. O usuário pode ver logo no estágio de entrada do texto, se o texto será impresso como esperado. A segunda classe, que é a que pertence o LATEX, o processamento do texto é feito em duas etapas distintas. O texto a ser impresso e os comandos de formatação são escritos em um arquivo fonte com o uso de um editor de textos. Em seguida o arquivo fonte é submetido a um programa formatador de textos, no nosso caso o LATEX, que gera um arquivo de saída, que pode ser impresso ou visualizado na tela (SANTOS, 2011).
O propósito do LaTeX é proporcionar aos autores a melhor qualidade tipográfica possível, com um mínimo de esforço ou de conhecimento técnico: “LaTeX foi concebido para livrar-te de preocupações em relação à formatação, permitindo que te concentres na escrita. Se gastas muito tempo a te preocupares com a forma, estás a utilizar incorretamente o LaTeX” (LAMPORT, 1994, p. 8 apud CHEREM, 2015).
A linguagem empregada no LaTeX permite aos autores, através de comandos textuais, inserir e formatar os elementos necessários para dar forma ao texto final, pronto para impressão. O LaTeX é especialmente útil para textos científicos onde há muitas fórmulas e/ou símbolos.  Há um sistema para: criação de bibliografias; inserção de figuras, tabelas e legendas, com suas respectivas listas de tabelas e de figuras no sumário; inserção de elementos matemáticos como equações, matrizes, símbolos e teoremas que são numerados automaticamente e referenciados através de “rótulos” criados pelo próprio usuário (CHEREM, 2015).
Vantagens e desvantagens do uso de LaTeX
Algumas das vantagens apresentadas para a utilização do LaTeX são:
·         É um programa gratuito e de código aberto, o que significa que o usuário pode: utilizá-lo para diversos propósitos; estudar o funcionamento do programa e mudá-lo para atender as suas necessidades; criar versões modificadas ou derivadas do programa; redistribuir cópias (THE FREESOFTWARE FOUNDATION, 2014).
·         É um programa estável: um arquivo salvo em Tex, no dia da sua criação em 1978 pode ser aberto, editado e compilado exatamente da mesma forma hoje (CHEREM, 2015).
·         Tem um formato portátil e multiplataforma, podendo ser utilizado e instalado nos sistemas operacionais mais comuns: UNIX, Mac, Windows, Linux, Free BSD.
·         Os documentos em Tex são leves e de fácil exportação, o que permitem um envio mais ágil e fácil arquivamento (CHEREM, 2015).
·         O LaTeX não possui bugs, sua plataforma é regular e sem falhas. Como prova desta estabilidade, Knuth oferece em torno de 300,00 dólares para cada bug reportado. Por esse motivo, o LaTeX se torna muito confiável perante seus usuários (FILHO; SILVA, 2009).
Em contrapartida essa plataforma possui algumas desvantagens:
·         Sua interface é complexa para algumas pessoas: o modo de trabalho com um software que não é visual (o resultado não é visto imediatamente) pode desencorajar usuários que não têm familiaridade com programação (CHEREM, 2015).
·         A linguagem de programação pode complicar algumas ações que são mais simples em outras plataformas (CHEREM, 2015).
·         Os controles de revisões e versões apresentam muitas dificuldades e instabilidades, sendo propícios a erros e perdas de informações. Em um trabalho conjunto, caso alguém não use o LaTeX, a troca de trabalhos para revisão acontece em pdf, o que pode não ser ideal para revisões e correções (FILHO; SILVA, 2009).
·         A necessidade de utilização de diversas ferramentas auxiliares, como por exemplo, o uso de editores e corretores ortográficos. A instalação e a manutenção dessas ferramentas adicionais pode dificultar a utilização do LaTeX por parte de usuários mais leigos (FILHO; SILVA, 2009).
·         Já em relação ao código fonte do LaTeX, quando criado por terceiros pode proporcionar dificuldades de legibilidade em relação a diversos usuários(FILHO; SILVA, 2009).
O uso do LaTeX na área acadêmica no Brasil 
Cherme (2015) afirma que o uso do LaTeX no Brasil é bastante restrito, mesmo em áreas em que seu benefício é mais tangível, como nas ciências exatas ou engenharias e que um dos maiores desafios para a disseminação de seu uso é a falta de apoio institucional oficial na área acadêmica e científica. Para o autor, o passo inicial seria a aceitação desse sistema como ferramenta de trabalho, bem como uma divulgação mais ativa através do desenvolvimento de material didático e iniciativas de capacitação.
Estrutura Básica de um Arquivo Fonte LATEX
O processamento do texto com o LaTEX é feito em duas etapas: primeiro o texto a ser impresso e os comandos de formatação são escritos em um arquivo fonte com o uso de um editor de textos e em seguida o arquivo fonte é submetido ao LaTEX. (SANTOS, 2011).
Todo arquivo fonte LATEX, que normalmente tem a extensão .tex tem um preâmbulo e um corpo de texto. No preâmbulo estão os comandos que especificam parâmetros globais para o processamento do texto, tais como tipo de documento, formato do papel, altura e largura do texto, a forma de saída das páginas com sua paginação e cabeçalhos automáticos.  O preâmbulo termina com o comando \begin{document}. Tudo que está abaixo deste comando é interpretado como corpo. No corpo está o texto propriamente dito junto com comandos de efeito local. O corpo termina com o comando \end{document} (SANTOS, 2011).
Tutorial de utilização
O site www.latex-tutorial.com traz uma série de tutoriais e ferramentas para facilitar a utilização do LaTeX. Estes tutoriais fornecem uma introdução prática ao LaTeX. A Figura 1 apresenta a lista dos tutoriais oferecidos pelo site.
Figura 1: Tutorias para uso do LaTeX
Além dos tutorias o site traz ferramentas interessantes como o Sandbox (Figura 2) que permite o usuário experimentar os comandos matemáticos do LaTeX e o LaTeX table editor (Figura 3) que é um editor gráfico online de tabelas LaTeX com visualização ao vivo do LaTeX e que permite a edição de tabelas, importação do Excel / .csv e geração o código da tabela LaTeX em funcionamento. O site ainda traz listas com os comandos para a inserção de letras do alfabeto grego, símbolos matemáticos e formatação de textos no Latex.
Figura 2: Ferramenta Sandbox

Figura 3: Ferramenta Editor/gerador de tabelas 
Outros editores
Além do LaTeX existem outros processadores para a formação de texto que apresentam suas próprias particularidades e especialidades.
LyX
O LyX é um processador de documentos de código aberto que pode ser executado em Linux/Unix, Windows e Mac OS X. O LyX combina o poder e a flexibilidade do TeX/LaTeX com uma interface familiar ao usuário, semelhante a qualquer processador de texto WYSIWYG.
No LyX as possíveis formatações que o LaTeX fornece são apresentadas ao usuário como controles visuais, como o sumário (que pode ser utilizado para navegar pelo documento), links dinâmicos (para figuras, tabelas, seções, páginas etc.), numeração automática das seções. Essa combinação resulta em uma ótima ferramenta para a criação de conteúdo matemático e de documentos estruturados, como artigos acadêmicos, teses e livros. Além disso, listas de referências, geradores de índice e outras ferramentas também fazem parte do pacote. 
O LyX automatiza a formatação de acordo com conjuntos de regras pré-definidas, que garante a sua consistência mesmo nos documentos mais complexos. O LyX produz conteúdo profissional de alta qualidade utilizando o LaTeX, um sistema poderoso para tipografia de documentos.
Texture
O Texture é um editor de texto científico projetado para editores e autores cujo objetivo é facilitar a interação contínua entre autores e periódicos, melhorando a velocidade geral da publicação digital. O Texture teve seu desenvolvimento iniciado em 2014 pelo Substance Consortium (formado pelo Public Knowledge Project (PKP), Collaborative Knowledge Foundation (CoKo), Scientific Electronic Library Online(SciELO), Érudit e Substance) e é projetado com a colaboração de  cientistas e editores que indicam os recursos que melhor suportam suas necessidades diárias. Dessa forma, os cientistas poderão concentrar toda sua atenção na pesquisa e os editores em garantir conteúdo de alta qualidade.
Com o DAR , um formato de arquivo compatível com padrões para artigos de periódicos, e o Texture , um editor visual de código aberto para pesquisa, pretende-se simplificar simultaneamente os processos de fluxo de trabalho e reduzir significativamente os custos de produção dos periódicos.  Ao permitir que um amplo conjunto de atores trabalhe diretamente no manuscrito XML em todos os estágios, o Texture elimina a necessidade de especialistas em XML e a etapa final de conversão de conteúdo para a qual muitos editores contam com o caro suporte de terceiros. Dessa forma o fluxo de trabalho com o Texture é composto por cinco etapas:
Caixa de texto: A equipe de produção usa a Textura para editar o documento.Caixa de texto: Os autores fazem login pelo site do editor e usam o Texture para responder a consultas, fazer alterações finais e aprovar o artigo para publicaçãoalterações finais e aprová-lo para publicação.Caixa de texto: A equipe de produção faz as alterações finais e o artigo está pronto para publicação.
1.      Submissão: O artigo vem diretamente como um arquivo DAR ou é convertido de um arquivo DOCX
2.      Revisão por pares: Autores e revisores completam várias iterações de revisão usando Textura para comentar e reenviar.
3.      Produção inicial: A equipe de produção usa a Textura para editar o documento.
4.      Autor proofing: Os autores fazem login pelo site do editor e usam o Texture para responder a consultas, fazer alterações finais e aprovar o artigo para publicação.
5.      Produção final: A equipe de produção faz as alterações finais no documento. Um processo de verificação de qualidade é executado usando textura. O papel está pronto para publicação.
As vantagens obtidas com o uso do Texture são:
·         Edição visual – o artigo completo pode ser editado em uma interface de processador de texto familiar. 
·         Formatação automática e geração de etiquetas – referências são formatadas automaticamente. Os rótulos para referências cruzadas, figuras, tabelas e notas de rodapé são gerados automaticamente.
·         Uma única fonte de informação - O artigo é representado no formato DAR durante todo o processo de publicação. Isso torna obsoletos os processos de conversão dispendiosos.
·         Desenvolvimento liderado pela comunidade -  A textura é um software de código aberto e o desenvolvimento é suportado por um consórcio de editores.

Referências bibliográficas
CHEREM, Y. A. A utilização do sistema de preparação de textos LaTeX na produção de textos acadêmicos no Brasil: uma investigação preliminar e perspectivas. Inf. Inf., Londrina, v. 20, n. 1, p. 228 - 249, jan./abr. 2015.
DUARTE FILHO, N. F. ; SILVA, M. T. N.  LaTeX: Benefícios, Mitos e Temores. SBC Horizontes, SBC - Porto Alegre, RS, , v. 2, p. 39 - 43, 05 dez. 2009.
SANTOS, R. J. Introdução ao Latex. Universidade Federal de Minas Gerais. 2011. http://www.mat.ufmg.br/~regi.
www.latex-tutorial.com


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