Introdução
O LATEX é um
pacote computacional feito para a preparação de textos impressos de alta
qualidade, especialmente para textos matemáticos. É possível
programá-lo para que seus textos tenham um padrão específico de
formatação, como a ABNT, por exemplo. O LaTEx foi desenvolvido em 1984 por
Leslie Lamport a partir do sistema tipográfico TEX criado por Donald Knuth em
1978 (SANTOS, 2011).
Os programas de
processamento de texto podem ser divididos em duas classes. A primeira
utilizada o método chamado ``what-you-see-iswhat-you-get'' (WYSWYG), existe um
menu na tela apresentando os recursos que podem ser selecionados com o uso do
mouse. Depois de selecionado um recurso, o texto é digitado e aparece na tela
exatamente como vai ser impresso no papel. O usuário pode ver logo no estágio
de entrada do texto, se o texto será impresso como esperado. A segunda classe,
que é a que pertence o LATEX, o processamento do texto é feito em duas etapas
distintas. O texto a ser impresso e os comandos de formatação são escritos em
um arquivo fonte com o uso de um editor de textos. Em seguida o arquivo fonte é
submetido a um programa formatador de textos, no nosso caso o LATEX, que gera
um arquivo de saída, que pode ser impresso ou visualizado na tela (SANTOS, 2011).
O propósito do LaTeX
é proporcionar aos autores a melhor qualidade tipográfica possível, com um
mínimo de esforço ou de conhecimento técnico: “LaTeX foi concebido para
livrar-te de preocupações em relação à formatação, permitindo que te concentres
na escrita. Se gastas muito tempo a te preocupares com a forma, estás a
utilizar incorretamente o LaTeX” (LAMPORT, 1994, p. 8 apud CHEREM, 2015).
A linguagem
empregada no LaTeX permite aos autores, através de comandos textuais, inserir e
formatar os elementos necessários para dar forma ao texto final, pronto para
impressão. O LaTeX é especialmente útil para textos científicos onde há muitas
fórmulas e/ou símbolos. Há um sistema
para: criação de bibliografias; inserção de figuras, tabelas e legendas, com
suas respectivas listas de tabelas e de figuras no sumário; inserção de
elementos matemáticos como equações, matrizes, símbolos e teoremas que são
numerados automaticamente e referenciados através de “rótulos” criados pelo
próprio usuário (CHEREM, 2015).
Vantagens
e desvantagens do uso de LaTeX
Algumas das
vantagens apresentadas para a utilização do LaTeX são:
·
É um programa gratuito e de código aberto,
o que significa que o usuário pode: utilizá-lo para diversos propósitos;
estudar o funcionamento do programa e mudá-lo para atender as suas
necessidades; criar versões modificadas ou derivadas do programa; redistribuir
cópias (THE FREESOFTWARE FOUNDATION, 2014).
·
É um programa estável: um arquivo salvo em
Tex, no dia da sua criação em 1978 pode ser aberto, editado e compilado
exatamente da mesma forma hoje (CHEREM, 2015).
·
Tem um formato portátil e multiplataforma,
podendo ser utilizado e instalado nos sistemas operacionais mais comuns: UNIX,
Mac, Windows, Linux, Free BSD.
·
Os documentos em Tex são leves e de fácil
exportação, o que permitem um envio mais ágil e fácil arquivamento (CHEREM,
2015).
·
O LaTeX não possui bugs, sua plataforma é
regular e sem falhas. Como prova desta estabilidade, Knuth oferece em torno de
300,00 dólares para cada bug reportado. Por esse motivo, o LaTeX se torna muito
confiável perante seus usuários (FILHO; SILVA, 2009).
Em contrapartida
essa plataforma possui algumas desvantagens:
·
Sua interface é complexa para algumas
pessoas: o modo de trabalho com um software que não é visual (o resultado não é
visto imediatamente) pode desencorajar usuários que não têm familiaridade com
programação (CHEREM, 2015).
·
A linguagem de programação pode complicar
algumas ações que são mais simples em outras plataformas (CHEREM, 2015).
·
Os controles de revisões e versões
apresentam muitas dificuldades e instabilidades, sendo propícios a erros e
perdas de informações. Em um trabalho conjunto, caso alguém não use o LaTeX,
a troca de trabalhos para revisão acontece em pdf, o que pode não ser
ideal para revisões e
correções (FILHO; SILVA, 2009).
·
A necessidade de utilização de diversas
ferramentas auxiliares, como por exemplo, o uso de editores e corretores
ortográficos. A instalação e a manutenção dessas ferramentas adicionais pode
dificultar a utilização do LaTeX por parte de usuários mais leigos (FILHO;
SILVA, 2009).
·
Já em relação ao código fonte do LaTeX,
quando criado por terceiros pode proporcionar dificuldades de legibilidade em
relação a diversos usuários(FILHO; SILVA, 2009).
O uso do LaTeX na área acadêmica no Brasil
Cherme (2015)
afirma que o uso do LaTeX no Brasil é bastante restrito, mesmo em áreas em que
seu benefício é mais tangível, como nas ciências exatas ou engenharias e que um
dos maiores desafios para a disseminação de seu uso é a falta de apoio
institucional oficial na área acadêmica e científica. Para o autor, o passo
inicial seria a aceitação desse sistema como ferramenta de trabalho, bem como
uma divulgação mais ativa através do desenvolvimento de material didático e
iniciativas de capacitação.
Estrutura Básica
de um Arquivo Fonte LATEX
O processamento do
texto com o LaTEX é feito em duas etapas: primeiro o texto a ser impresso e os
comandos de formatação são escritos em um arquivo fonte com o uso de um editor
de textos e em seguida o arquivo fonte é submetido ao LaTEX. (SANTOS, 2011).
Todo arquivo fonte
LATEX, que normalmente tem a extensão .tex tem um preâmbulo e um corpo de
texto. No preâmbulo estão os comandos que especificam parâmetros globais para o
processamento do texto, tais como tipo de documento, formato do papel, altura e
largura do texto, a forma de saída das páginas com sua paginação e cabeçalhos
automáticos. O preâmbulo termina com o
comando \begin{document}. Tudo que está abaixo deste comando é interpretado
como corpo. No corpo está o texto propriamente dito junto com comandos de
efeito local. O corpo termina com o comando \end{document} (SANTOS, 2011).
Tutorial
de utilização
O site www.latex-tutorial.com
traz uma série de tutoriais e ferramentas para facilitar a utilização do LaTeX.
Estes tutoriais fornecem uma introdução prática ao LaTeX. A Figura 1 apresenta
a lista dos tutoriais oferecidos pelo site.
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| Figura 1: Tutorias para uso do LaTeX |
Outros
editores
Além do LaTeX
existem outros processadores para a formação de texto que apresentam suas
próprias particularidades e especialidades.
LyX
O LyX é um
processador de documentos de código aberto que pode ser executado em
Linux/Unix, Windows e Mac OS X. O LyX combina o poder e a flexibilidade
do TeX/LaTeX com uma
interface familiar ao usuário, semelhante a qualquer processador de texto WYSIWYG.
No LyX as
possíveis formatações que o LaTeX fornece são apresentadas ao usuário como
controles visuais, como o sumário (que pode ser utilizado para navegar pelo
documento), links dinâmicos (para figuras, tabelas, seções, páginas etc.),
numeração automática das seções. Essa combinação resulta em uma ótima
ferramenta para a criação de conteúdo matemático e de documentos estruturados,
como artigos acadêmicos, teses e livros. Além disso, listas de referências,
geradores de índice e outras ferramentas também fazem parte do pacote.
O LyX automatiza a
formatação de acordo com conjuntos de regras pré-definidas, que garante a sua
consistência mesmo nos documentos mais complexos. O LyX produz conteúdo
profissional de alta qualidade utilizando o LaTeX, um sistema poderoso para
tipografia de documentos.
Texture
O Texture é um
editor de texto científico projetado para editores e autores cujo objetivo é
facilitar a interação contínua entre autores e periódicos, melhorando a
velocidade geral da publicação digital. O Texture teve seu desenvolvimento
iniciado em 2014 pelo Substance Consortium (formado pelo Public Knowledge
Project (PKP), Collaborative Knowledge
Foundation (CoKo), Scientific Electronic Library
Online(SciELO), Érudit e Substance) e é projetado com a
colaboração de cientistas e editores que
indicam os recursos que melhor suportam suas necessidades diárias. Dessa
forma, os cientistas poderão concentrar toda sua atenção na pesquisa e os
editores em garantir conteúdo de alta qualidade.
Com o DAR , um formato de arquivo
compatível com padrões para artigos de periódicos, e o Texture , um editor visual de código
aberto para pesquisa, pretende-se simplificar simultaneamente os processos de
fluxo de trabalho e reduzir significativamente os custos de produção dos
periódicos. Ao permitir que um amplo conjunto de atores trabalhe
diretamente no manuscrito XML em todos os estágios, o Texture elimina a
necessidade de especialistas em XML e a etapa final de conversão de conteúdo
para a qual muitos editores contam com o caro suporte de terceiros. Dessa
forma o fluxo de trabalho com o Texture é composto por cinco etapas:



1. Submissão:
O artigo vem diretamente como um arquivo DAR ou é convertido de um arquivo DOCX
2. Revisão
por pares: Autores e revisores completam várias iterações de revisão usando
Textura para comentar e reenviar.
3. Produção
inicial: A equipe de produção usa a Textura para editar o documento.
4. Autor
proofing: Os autores fazem login pelo site do editor e usam o Texture para
responder a consultas, fazer alterações finais e aprovar o artigo para
publicação.
5.
Produção final: A equipe de produção faz
as alterações finais no documento. Um processo de verificação de qualidade
é executado usando textura. O papel está pronto para publicação.
As vantagens obtidas com
o uso do Texture são:
·
Edição visual – o artigo completo pode ser
editado em uma interface de processador de texto familiar.
·
Formatação automática e geração de
etiquetas – referências são formatadas automaticamente. Os rótulos para
referências cruzadas, figuras, tabelas e notas de rodapé são gerados
automaticamente.
·
Uma única fonte de informação - O artigo é
representado no formato DAR durante todo o processo de publicação. Isso
torna obsoletos os processos de conversão dispendiosos.
·
Desenvolvimento liderado pela comunidade
- A textura é um software de código
aberto e o desenvolvimento é suportado por um consórcio de editores.
Referências
bibliográficas
CHEREM, Y. A. A
utilização do sistema de preparação de textos LaTeX na produção de textos
acadêmicos no Brasil: uma investigação preliminar e perspectivas. Inf. Inf.,
Londrina, v. 20, n. 1, p. 228 - 249, jan./abr. 2015.
DUARTE FILHO, N.
F. ; SILVA, M. T. N. LaTeX: Benefícios,
Mitos e Temores. SBC Horizontes, SBC - Porto Alegre, RS, , v. 2, p. 39 - 43, 05
dez. 2009.
SANTOS, R. J.
Introdução ao Latex. Universidade Federal de Minas Gerais. 2011. http://www.mat.ufmg.br/~regi.
www.latex-tutorial.com




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