O que é? Quando surgiu? Para que
serve? Algumas noções básicas para entender o movimento da literatura de acesso
aberto
Ediana Fiuza
Antes de saber o que é o Open
Access é necessário entender o que há por trás de toda essa movimentação em
prol da literatura de acesso aberto, e como ponto de partida, temos que
compreender uma das mais importantes premissas da comunidade científica, tal
qual a vivenciamos hoje. Que é a de que o produto das comunicações científicas
pode ser traduzido como publicações em periódicos, e esses periódicos são
consolidados pelo nível de suas publicações e pelo nível do autor que as
publica. Dentro da comunidade científica cada nicho do conhecimento é composto
pelos autores daquelas áreas ali envolvidas nesse nicho do conhecimento. E
esses podem ser autores “estrelas”, que são muito conhecidos e referenciados em
diversos trabalhos, ou autores que estão em processo de consolidação junto aos
seus nichos, buscando ou não o seu reconhecimento junto com suas publicações
nos periódicos reconhecidos.
Sabendo-se disso, e de que
todo novo conhecimento é gerado a partir de um conhecimento passado, e tendo os
periódicos como fontes constantes de publicação de novas pesquisas, a leitura
dos mesmos se faz necessário para que os autores gerem um novo conhecimento, e
isso pode ser concretizado com a atualização constante das bibliotecas com
esses periódicos.
Contudo a manutenção
dessas bibliotecas vem se tornando cada vez mais custosa, pois os periódicos estão se tornando cada vez mais caros. Dessa forma, em 1980, deflagrada pelos Estados
Unidos, mas que vinha sendo relatada desde 1970 em diversos outros países,
inclusive o Brasil, foi deflagrada a crise dos periódicos, na qual as
bibliotecas acadêmicas não estavam conseguindo acompanhar as publicações dos periódicos, adquirindo-os.
E em meio à crise, e à necessidade de ter acesso aos novos conhecimentos acadêmicos que surge a literatura
Open Access, e que segundo SUBER (2006) a literatura de
acesso aberto (OA) é digital, on-line, gratuita e isenta da maioria das
restrições de direitos autorais e licenciamento. O que torna isso possível é a
internet e o consentimento do autor ou detentor dos direitos autorais.
(Tradução nossa)[1]
Nos anos 80, o OA era
feito através dos PrePrints (https://metodologiaengenharia.blogspot.com/2019/06/preprints-para-publicacoes-cientificas.html)
e das Creative Commons (https://metodologiaengenharia.blogspot.com/2019/06/creative-commons-cc.html),
que eram formas de liberar o acesso aos artigos que estavam sendo produzidos.
Com o advento da internet,
a liberação das produções nos periódicos ganhou proporções gigantescas, mas não
em sua totalidade, pois ainda hoje, existem muitos periódicos que só estão disponiveis mediante o pagamento de acesso ao mesmo.
E nesse contexto as
revistas OA serviram e servem para que todos tenham um acesso generalizado ao
conhecimento produzido dentro das instituições produtoras desse conhecimento. E
segundo WILLINSKY (2006), existem 10 formas de ter um acesso aberto a essas
produções:
1. Acesso aberto à
homepage: Um dos primeiros lugares em que os pesquisadores
começaram a disponibilizar seu trabalho gratuitamente na Internet foi em suas
páginas pessoais ou em páginas fornecidas por sua universidade. O acesso aberto
da página inicial difere dos repositórios institucionais e dos servidores de
e-Print, em que os últimos fornecem um sistema de indexação global.
2. Arquivo de acesso
eletrônico de acesso aberto: Muitos periódicos agora
permitem que os autores coloquem uma cópia de seu trabalho, antes de publicar
ou depois, em arquivos de e-print de acesso aberto ou repositórios
institucionais. Um arquivo e-print pode ser organizado em torno de uma
disciplina..
3. Acesso aberto à taxa
de autor: Uma forma muito proeminente de acesso aberto,
encontrada especialmente nas ciências médicas, baseia-se na cobrança de taxas
de autores que variam entre US $ 500 e US $ 3.000 por artigo publicado. Estas
taxas podem ser cobertas pelo autor através de bolsas de pesquisa ou com
financiamento do departamento ou, em alguns casos, através da compra de
associações institucionais ou nacionais para os periódicos. Atualmente, esse
modelo não está sendo amplamente aplicado na América Latina.
4. Acesso aberto
subsidiado: Talvez a forma mais comum de acesso
aberto na América Latina seja o uso de vários subsídios que os periódicos podem
receber de sociedades acadêmicas, departamentos de universidades, agências
governamentais ou fundações. Essa forma de acesso aberto normalmente não cobra
nenhuma taxa para autores ou leitores e geralmente é executada em grande parte
por esforços voluntários ou por algum tipo de remuneração não monetária
oferecida pelas universidades.
5. Acesso aberto em modo
dual: Alguns periódicos preferiram manter uma publicação
impressa, apesar de seu interesse em migrar para o acesso aberto. Muitos desses
periódicos começaram a publicar uma versão de acesso aberto on-line disponível
imediatamente e mantiveram um modelo de assinatura tradicional para compensar
os custos de uma versão impressa da publicação.
6. Acesso Adiado
Retardado: Um dos dois modos de acesso aberto que se destinam a incentivar
a compra de assinaturas, enquanto ainda fornece acesso aberto, é fornecer
acesso aberto ao conteúdo somente após alguns meses desde a publicação
original. Os periódicos podem vender assinaturas impressas e on-line para os
leitores que querem acessar os artigos imediatamente e fornecer acesso gratuito
àqueles que estão dispostos a esperar.
7. Acesso aberto parcial:
Outra abordagem para atrair assinaturas enquanto ainda fornece algum acesso
aberto é fornecer acesso aberto a apenas alguns dos conteúdos da revista
enquanto restringe o resto aos usuários inscritos. Esse tipo de acesso ajuda a
aumentar a visibilidade de um periódico por meio de seu conteúdo de acesso
aberto e incentiva os leitores a comprar assinaturas de outros artigos que
tenham visto enquanto navegavam no periódico.
8. Acesso aberto per
capita: Programas como o projeto HINARI da Organização
Mundial da Saúde permitiram o acesso a mais de 2.000 revistas médicas nos
países com renda per capita inferior a US $ 1.250. Com o HINARI, os países com
renda per capita de US $ 1.250 a US $ 3.500 pagam US $ 1.000 por instituição
por ano para acesso aos mesmos periódicos. Na América Latina, Bolívia, Guiana,
Haiti, Honduras, Nicarágua e Paraguai têm acesso gratuito e Colômbia, Cuba,
República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Jamaica, Peru e Suriname
se qualificam para o preço com desconto.
9. Indexação de acesso
aberto: A indexação de acesso aberto tornou-se uma excelente
fonte para encontrar publicações que, de outro modo, só seriam encontradas em
bancos de dados comerciais. Embora os artigos em si possam não ser de código
aberto, existem muitos índices que fornecem acesso aos metadados do artigo para
que os pesquisadores possam pelo menos saber da existência do artigo.
10. Cooperativa de
acesso aberto: A forma final de acesso aberto
apresentada por Willinsky (2006) é a cooperativa, que pode se formar entre
editores, como sociedades acadêmicas, ou entre editores e bibliotecas,
trabalhando juntos para garantir a forma mais eficiente de acesso. disseminação
de conhecimento. Esse tipo de acesso é talvez o melhor exemplificado na América
Latina com o projeto SciELO. O SciELO funciona através da implementação de um
modelo e metodologia comuns em todos os países membros. Em cada país, o SciELO
trabalha com parceiros que se beneficiam coletivamente dos esforços de cada um.
Tipo de acesso aberto Modelos econômicos Jornal ou exemplo de portal.
Referências
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[1] Open-access (OA) literature is
digital, online, free of charge, and free of most copyright and licensing
restrictions. What makes it possible is the internet and the consent of the
author or copyright-holder.


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