domingo, 30 de junho de 2019

OPEN ACCESS - OA





OPEN ACCESS - OA
O que é? Quando surgiu? Para que serve? Algumas noções básicas para entender o movimento da literatura de acesso aberto

Ediana Fiuza

Antes de saber o que é o Open Access é necessário entender o que há por trás de toda essa movimentação em prol da literatura de acesso aberto, e como ponto de partida, temos que compreender uma das mais importantes premissas da comunidade científica, tal qual a vivenciamos hoje. Que é a de que o produto das comunicações científicas pode ser traduzido como publicações em periódicos, e esses periódicos são consolidados pelo nível de suas publicações e pelo nível do autor que as publica. Dentro da comunidade científica cada nicho do conhecimento é composto pelos autores daquelas áreas ali envolvidas nesse nicho do conhecimento. E esses podem ser autores “estrelas”, que são muito conhecidos e referenciados em diversos trabalhos, ou autores que estão em processo de consolidação junto aos seus nichos, buscando ou não o seu reconhecimento junto com suas publicações nos periódicos reconhecidos.
Sabendo-se disso, e de que todo novo conhecimento é gerado a partir de um conhecimento passado, e tendo os periódicos como fontes constantes de publicação de novas pesquisas, a leitura dos mesmos se faz necessário para que os autores gerem um novo conhecimento, e isso pode ser concretizado com a atualização constante das bibliotecas com esses periódicos.
Contudo a manutenção dessas bibliotecas vem se tornando cada vez mais custosa, pois os periódicos estão se tornando cada vez mais caros. Dessa forma, em 1980, deflagrada pelos Estados Unidos, mas que vinha sendo relatada desde 1970 em diversos outros países, inclusive o Brasil, foi deflagrada a crise dos periódicos, na qual as bibliotecas acadêmicas não estavam conseguindo acompanhar as publicações dos periódicos, adquirindo-os.
E em meio à crise, e à necessidade de ter acesso aos novos conhecimentos acadêmicos que surge a literatura Open Access, e que segundo SUBER (2006) a literatura de acesso aberto (OA) é digital, on-line, gratuita e isenta da maioria das restrições de direitos autorais e licenciamento. O que torna isso possível é a internet e o consentimento do autor ou detentor dos direitos autorais. (Tradução nossa)[1]
Nos anos 80, o OA era feito através dos PrePrints (https://metodologiaengenharia.blogspot.com/2019/06/preprints-para-publicacoes-cientificas.html) e das Creative Commons (https://metodologiaengenharia.blogspot.com/2019/06/creative-commons-cc.html), que eram formas de liberar o acesso aos artigos que estavam sendo produzidos.
Com o advento da internet, a liberação das produções nos periódicos ganhou proporções gigantescas, mas não em sua totalidade, pois ainda hoje, existem muitos periódicos que só estão disponiveis mediante o pagamento de acesso ao mesmo.
E nesse contexto as revistas OA serviram e servem para que todos tenham um acesso generalizado ao conhecimento produzido dentro das instituições produtoras desse conhecimento. E segundo WILLINSKY (2006), existem 10 formas de ter um acesso aberto a essas produções:
  
1. Acesso aberto à homepage: Um dos primeiros lugares em que os pesquisadores começaram a disponibilizar seu trabalho gratuitamente na Internet foi em suas páginas pessoais ou em páginas fornecidas por sua universidade. O acesso aberto da página inicial difere dos repositórios institucionais e dos servidores de e-Print, em que os últimos fornecem um sistema de indexação global.
2. Arquivo de acesso eletrônico de acesso aberto: Muitos periódicos agora permitem que os autores coloquem uma cópia de seu trabalho, antes de publicar ou depois, em arquivos de e-print de acesso aberto ou repositórios institucionais. Um arquivo e-print pode ser organizado em torno de uma disciplina..
3. Acesso aberto à taxa de autor: Uma forma muito proeminente de acesso aberto, encontrada especialmente nas ciências médicas, baseia-se na cobrança de taxas de autores que variam entre US $ 500 e US $ 3.000 por artigo publicado. Estas taxas podem ser cobertas pelo autor através de bolsas de pesquisa ou com financiamento do departamento ou, em alguns casos, através da compra de associações institucionais ou nacionais para os periódicos. Atualmente, esse modelo não está sendo amplamente aplicado na América Latina.
4. Acesso aberto subsidiado: Talvez a forma mais comum de acesso aberto na América Latina seja o uso de vários subsídios que os periódicos podem receber de sociedades acadêmicas, departamentos de universidades, agências governamentais ou fundações. Essa forma de acesso aberto normalmente não cobra nenhuma taxa para autores ou leitores e geralmente é executada em grande parte por esforços voluntários ou por algum tipo de remuneração não monetária oferecida pelas universidades.
5. Acesso aberto em modo dual: Alguns periódicos preferiram manter uma publicação impressa, apesar de seu interesse em migrar para o acesso aberto. Muitos desses periódicos começaram a publicar uma versão de acesso aberto on-line disponível imediatamente e mantiveram um modelo de assinatura tradicional para compensar os custos de uma versão impressa da publicação.
 6. Acesso Adiado Retardado: Um dos dois modos de acesso aberto que se destinam a incentivar a compra de assinaturas, enquanto ainda fornece acesso aberto, é fornecer acesso aberto ao conteúdo somente após alguns meses desde a publicação original. Os periódicos podem vender assinaturas impressas e on-line para os leitores que querem acessar os artigos imediatamente e fornecer acesso gratuito àqueles que estão dispostos a esperar.
7. Acesso aberto parcial: Outra abordagem para atrair assinaturas enquanto ainda fornece algum acesso aberto é fornecer acesso aberto a apenas alguns dos conteúdos da revista enquanto restringe o resto aos usuários inscritos. Esse tipo de acesso ajuda a aumentar a visibilidade de um periódico por meio de seu conteúdo de acesso aberto e incentiva os leitores a comprar assinaturas de outros artigos que tenham visto enquanto navegavam no periódico.
8. Acesso aberto per capita: Programas como o projeto HINARI da Organização Mundial da Saúde permitiram o acesso a mais de 2.000 revistas médicas nos países com renda per capita inferior a US $ 1.250. Com o HINARI, os países com renda per capita de US $ 1.250 a US $ 3.500 pagam US $ 1.000 por instituição por ano para acesso aos mesmos periódicos. Na América Latina, Bolívia, Guiana, Haiti, Honduras, Nicarágua e Paraguai têm acesso gratuito e Colômbia, Cuba, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Jamaica, Peru e Suriname se qualificam para o preço com desconto.
9. Indexação de acesso aberto: A indexação de acesso aberto tornou-se uma excelente fonte para encontrar publicações que, de outro modo, só seriam encontradas em bancos de dados comerciais. Embora os artigos em si possam não ser de código aberto, existem muitos índices que fornecem acesso aos metadados do artigo para que os pesquisadores possam pelo menos saber da existência do artigo.
 10. Cooperativa de acesso aberto: A forma final de acesso aberto apresentada por Willinsky (2006) é a cooperativa, que pode se formar entre editores, como sociedades acadêmicas, ou entre editores e bibliotecas, trabalhando juntos para garantir a forma mais eficiente de acesso. disseminação de conhecimento. Esse tipo de acesso é talvez o melhor exemplificado na América Latina com o projeto SciELO. O SciELO funciona através da implementação de um modelo e metodologia comuns em todos os países membros. Em cada país, o SciELO trabalha com parceiros que se beneficiam coletivamente dos esforços de cada um. Tipo de acesso aberto Modelos econômicos Jornal ou exemplo de portal.

Referências    

ALPERÍN, Juan Pablo; FISCHMAN, Gustavo; WILLINSKY, John. Open access and scholarly publishing in Latin America: ten flavours and a few reflections| Acesso livre e publicação acadêmica na América Latina: dez sabores e algumas reflexões. Liinc em Revista, v. 4, n. 2, 2008. Disponível em: http://revista.ibict.br/liinc/article/view/3165/2831

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6022: informação e documentação-artigo em publicação periódica científica e impressa-apresentação. 2018 Disponível em: .http://www.cienciasmedicas.com.br/anexos/arquivo/Norma%20da%20ABNT%206022-%202018.pdf

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: Informação e documentação — Referências — Elaboração. 2018. http://www.fkb.br/arquivos/nbr.pdf
BEALL, Jeffrey. The open-access movement is not really about open access. tripleC: Communication, Capitalism & Critique. Open Access Journal for a Global Sustainable Information Society, v. 11, n. 2, p. 589-597, 2013. Disponível em: https://triple-c.at/index.php/triplec/article/view/525

CARVALHO, Teila de Oliveira. Portais de periódicos científicos em bibliotecas acadêmicas: uma nova função no contexto do acesso aberto à informação científica. 2014. Disponível em: http://bdm.unb.br/bitstream/10483/8625/1/2014_TeiladeOliveiraCarvalho.pdf


COSTA, Sely. Abordagens, estratégias e ferramentas para o acesso aberto via periódicos e repositórios institucionais em instituições acadêmicas brasileiras| Approaches, strategies and tools for open access through journals and institutional repositories in Brazilian. Liinc em Revista, v. 4, n. 2, 2008. Acessado em: Disponível em: http://revista.ibict.br/liinc/article/view/3175/2840

KANJILAL, Uma; DAS, Anup Kumar. Introduction to open access. UNESCO Publishing, 2015. Disponível em:http://eprints.rclis.org/24870/1/231920E.pdf

MUELLER, Suzana Pinheiro Machado. A comunicação científica e o movimento de acesso livre ao conhecimento. Ciência da Informação, v. 35, n. 2, 2006.Acessado em: Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/%0D/ci/v35n2/a04v35n2.pdf>

SUBER, Peter. A very brief introduction to open access. 2006. Disponível em: https://legacy.earlham.edu/~peters/fos/brief.htm

SUBER, Peter. Timeline of the open access movement. 2009.Acessado em: Disponível em: https://dash.harvard.edu/bitstream/handle/1/4724185/suber_timeline.htm

SALO, Dorothea. What's Driving Open Access?. 2007. Disponível em: https://minds.wisconsin.edu/bitstream/handle/1793/7206/txla.pdf?sequence=2&isAllowed=y
WILLINSKY, John. The access principle: The case for open access to research and scholarship. Cambridge, MA: MIT press, 2006.Acessado em: Disponível em: < http://hallidaycentre.cityu.edu.hk/Resources/LHS/2006-vol2(1)-1.pdf>




[1] Open-access (OA) literature is digital, online, free of charge, and free of most copyright and licensing restrictions. What makes it possible is the internet and the consent of the author or copyright-holder.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Editais Internacionais de Fomento à Pesquisa. O desenvolvimento científico está posicionado como grande propulsor do futuro de uma naç...